Quem parte e reparte, fica com a melhor parte

Rever passagens conhecidas da Bíblia sob a tutela do gentil Espírito Santo nos faz perceber certas sutilezas de cada história.

A narrativa da multiplicação de pães, em João cap. 6, nos permite diferenciar dois momentos da movimentação dos discípulos.

Primeiramente eles vão, cesto nas mãos, até Jesus que faz o milagre de multiplicar o alimento bem ali, diante dos olhos deles e começa a encher os balaios.

Como eram muitos, cinco mil, tiveram de voltar a Jesus diversas vezes. A cada viagem deviam aguardar diante do Mestre até que este enchesse seus vasilhames antes de partir novamente rumo à grande concentração de famintos.

Os mais apressados talvez saíssem com seu cesto vazio, fazendo com que fossem menos úteis do que poderiam ser. Isso pode acontecer conosco também: Se não passamos tempo suficiente perto do Multiplicador de provisões, somos menos úteis. Às vezes a pressa nos leva a dedicar pouco tempo na presença do Senhor, em oração e leitura da Palavra, o que nos faz discípulos de cestos vazios.

Muito bem, o outro ensino que podemos tirar vem da segunda etapa, quando o Senhor envia os discípulos novamente à multidão, agora com seus cestos vazios, para recolher o excedente.

No final das contas, cada um da multidão tinha recebido o suficiente para suprir sua necessidade momentânea, mas cada um discípulo tinha consigo um cesto cheio, que poderia lhe suprir por um bom tempo.

Assim aprendemos que o Senhor recompensa, ainda nesta vida, aqueles que se dispõem a atender às necessidades de Seu projeto e dos envolvidos nele, conforme Ele mesmo disse a Pedro: “…cem vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições; e no século futuro a vida eterna..” Marcos 10:30

Éramos como gafanhotos…

Os espias enviados a Canaã por Moisés voltaram, em sua maioria, descrentes do poder de Deus de lhes dar a terra. Desacreditando e fazendo desacreditar.

Mas o que acontecera com a coragem dos que haviam vencido o mar e o deserto? A expressão usada por eles nos faz compreender:

Também vimos ali os gigantes, filhos de Anaque, descendentes dos gigantes; e éramos aos nossos olhos como gafanhotos e assim também éramos aos seus olhos.

Números 13:33

Não era de se estranhar tanto desânimo: eles estavam se vendo como os inimigos os viam. Assim abandonaram o ponto de vista de Deus – que é muito mais alto que os gigantes – e se viram como outros homens os viam.

Não incorremos no mesmo erro com frequência?

Sobre a árvore da vida

O anseio do homem pela eternidade é algo muito profundo e intenso. Prevalece acima de qualquer outra conquista que se possa imaginar. “Cálice Sagrado” – o famoso Santo Graal – ou “Fonte da Juventude”, referências assim aparecem em todas as manifestações artísticas da humanidade.

Deus já havia colocado a eternidade no coração do homem, afirma Salomão.

A Árvore da Vida é mencionada nos dois extremos da Bíblia: Gênesis (cap. 2:9) e Apocalipse (cap. 2:7).

Mas há uma expressão semelhante em Provérbios que lança um pouco mais de luz sobre o assunto, veja:

“A esperança demorada enfraquece o coração, mas o desejo chegado é árvore de vida

Provérbios 13:12

Poderíamos definir como “demorado” aquilo que está num cronograma diferente do nosso, Israel perdeu sua sincronização com o Senhor.

Hum… ficou difícil?

Ao desprezar as profecias, o homem deixa de acompanhar os desdobramentos do projeto de Deus para ele.

Isso vale para um homem, tanto quanto para uma nação inteira.

Israel guardava uma promessa de Deus: um Salvador, um Messias. Mas perdendo o respeito e a atenção para com as profecias, o coração de Israel se enfraqueceu, tanto que, quando a semente da mulher veio a terra para morrer e dar muito fruto, se tornando árvore de vida – JESUS – quase todos dormiam.

Ele, o “desejo chegado”, o “Desejado das Nações”, foi recebido por um pequeno grupo de judeus (os pastores) e um pequeno grupo de gentios (os magos).

Mas isso não invalidou o projeto para todo aquele que n’Ele crê: JESUS CRISTO É ÁRVORE DE VIDA. Quem d’Ele comer viverá para sempre.

É isso. Maranata.

“E vimos a Sua glória”

Sabemos que a personagem principal da Bíblia é Jesus. Sim, de TODA a Bíblia, Velho e Novo Testamento. Jesus aparece de modo simbólico e tipológico em cada um dos livros do VT. Descobrí-Lo é sempre uma grata surpresa, reservada pelo Revelador, o Espírito Santo.

A coluna de nuvem foi o primeiro sinal da presença de Deus no meio do povo hebreu. Por ela eles foram guiados, protegidos do sol do deserto, aquecidos do rigoroso frio da noite e das feras noturnas. Quando Israel escapava do exército egípcio, vemos a colaboração decisiva da nuvem, que se coloca atrás da multidão de hebreus e os separa dos soldados inimigos. Agora observe o que a Palavra afirma sobre a nuvem:

“…a coluna de nuvem se retirou de diante deles, e se pôs atrás deles, e ia entre o campo dos egípcios e o campo de Israel; e a nuvem era escuridade para aqueles, e para estes esclarecia a noite;”

Exodo 14:19b. 20a

Se antes da manifestação da nuvem aos egípcios podia-se facilmente confundir um e outro povo (afinal, todos aqueles hebreus haviam nascido no Egito), a nuvem coloca uma posição bem definida: dalém e daquém dela.

Para os daquém, os egípcios, a nuvem era escuridade. Já viu uma nuvem realmente escura? Raios e trovões partem dela. Aterrorizante, não? Pois assim é Jesus para o homem que não está debaixo do concerto: O Juiz de toda a Terra (Atos 10:42).

Porém, para os dalém da nuvem, Jesus é o que lhes esclarece o caminho, a Luz do Mundo.

Se antes da manifestação visível da Glória de Deus Pai na pessoa maravilhosa do Senhor Jesus não estava claro quem era povo de Deus ou não, isso ficou bem definido com a Sua chegada.

Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus.

João 1:12