Tipo e Antítipo

O encontro do Senhor Jesus com o paralítico no tanque de Betesda é notável por indicar o momento de transição que Israel estava vivendo. Ali aparecem muitas figuras da salvação que agora seriam substituídas pelo próprio Senhor Jesus, com a vantagem de não ser mais necessário se esperar por homem algum.

Desde a queda, Deus começou a ensinar à humanidade o quanto o pecado havia tirado de nós e quão custoso seria restaurar todo o bem desejado pelo Criador. Assim, a começar pelos animais que, inocentes, pagaram as vestes de Adão e Eva com suas próprias vidas, o Deus Eterno veio, didaticamente, nos revelando seu Projeto de Salvação. Na profusão de símbolos e rituais do Velho Testamento, Deus estruturou no entendimento de Israel (e no nosso também) a questão do sacrifício de um inocente para a remissão dos pecadores.

Alguns elementos proféticos agora aparecem nesse episódio, do tanque:

– A festa

– a porta das ovelhas

– o tanque

– as águas milagrosas

– o movimento das águas

Tudo isso e muito mais fez parte, por 4000 anos, do ensino de Deus a respeito da redenção do homem, que se consumaria, enfim, na pessoa do Salvador encarnado. Agora, portanto, tudo se cumpria n’Ele e o que era provisório precisava ficar para trás.

Por que o ensino figurado não era definitivo? Porque era sempre imperfeito. Depois de um cordeiro morto era necessário sacrificar outro, depois de um sábado vinha outro, depois de um sacerdote vinha outro sacerdote. Afora um dos defeitos mais graves: a salvação pelas obras, do VT, privilegiava os mais capazes (“desce outro antes de mim”).

Na salvação em Jesus, não: O Salvador vai ao encontro – especialmente – dos mais fracos.

Antítipo é a figura de que tratam as comparações (tipos). Assim Moisés (tipo) prefigurou a Cristo (Antítipo).

Paulo escreveu na sua primeira carta aos Coríntios que quando era menino (figurando Israel com pouco entendimento) pensava como menino, mas, crescido (figurando a Igreja com a Revelação) acabou com as coisas de menino. Desse modo, as figuras do Velho Testamento não tem valor prático hoje para nós. Serviram de aio – de professor, de guia – até que nos fosse revelado o Filho de Deus, o Salvador.

As práticas que vemos à nossa volta nos meios pentecostais, retomando as figuras do VT não cabem à Igreja Fiel do Senhor Jesus. Nós, como o beneficiado do texto, levantamos de nossa cama (comodismo) e saímos do meio disso tudo, até para não adoecer novamente, depois de havermos sido curados por Ele.

Amém.