Tu és rei?

Essa foi a pergunta que Pilatos fez a Jesus naquela fatídica noite, antes de lavar inutilmente suas mãos manchadas com sangue inocente.
A resposta do Senhor foi cheia de significado – assim como tudo que sai de Sua boca. “Tu dizes que sou rei. Eu para isso nasci, para isso vim ao mundo.”

Jesus não iria aceitar de Pilatos – ou de mim e de você – qualquer outra incumbência. Ele não veio para ser um criado, um mordomo, um faxineiro, um gerente ou apenas uma visita em nosso coração. Ele nasceu em mim e em você para um único propósito: para ser REI.

Se você, eu ou Pilatos oferecemos qualquer coisa menor que isso, Ele não vai aceitar. Se oferecermos qualquer outro lugar que não o trono no palácio do nosso coração, estamos perdendo nosso tempo.

Mas lembre-se: Daniel profetizou que Ele, o Rei, reinará para todo sempre. Isto é, o coração que for palácio de Jesus será eterno. Viva o Rei!

3 degraus para a resposta da oração

Escuta-meAnteontem eu ia apressado pela rua quando fui abordado por um conhecido, que já visitou nossa igreja, homem temente a Deus e de boa reputação na sociedade local. Ele sorriu pra mim e disse: “Mateus 15, leia lá. Veja a sabedoria daquela mulher”. Não era uma conversa que começava, era só aquilo que ele tinha pra me dizer. Eu prometi, com um sorriso, que leria, ele virou-se e foi embora. Continuei apressado, mas como não me lembrava exatamente a que mulher ele se referia, fiquei curioso até chegar em casa e conferir o texto bíblico.

Em todo o capítulo, a única mulher mencionada é a cananéia anônima, que tinha um sério problema com a saúde de sua filha. Fiquei remoendo essa história enquanto orava ao Senhor para que continuasse falando comigo.

Percebi que desde o momento em que ela decidiu buscar a ajuda do Senhor Jesus, passou por um processo, digamos, que teve as seguintes etapas, os seguintes degraus:

1 – JESUS NÃO LHE RESPONDEU DE PRONTO
Diz o texto que ela expôs sua necessidade, mencionou a profecia sobre a descendência de Davi, tudo direitinho. Jesus não lhe respondeu palavra. Nada. Silêncio absoluto. Talvez falasse com outros à sua volta, mas não com ela. Isso por si só já seria, talvez, motivo para desanimar, para desistir.

Muitas vezes acontece assim ainda hoje. Pedimos ao Senhor, crendo nas profecias, na Palavra do Senhor, temos uma razão justa, um pedido razoável e o apresentamos a Ele e… nada. Silêncio total. Muita gente pára por aí.
Tudo que Deus faz é bom, diz a Bíblia. E diz mais: todas as coisas cooperam para o bem dos que amam a Deus. Isso inclui o silêncio dEle também. Ele tem Suas razões. Tem sua própria maneira de tratar conosco e, frequentemente, está testando nossa perseverança, que é uma qualidade importantíssima na vida do cristão. Se não tivermos pelo menos uma pequena fé, não vamos passar desta etapa.

2 – AS PESSOAS COMEÇARAM A LHE OPOR RESISTÊNCIA
Certamente antes de ir a Jesus, os discípulos devem ter ralhado com ela, feito caras feias, murmurado contra seus clamores. Era também razão suficiente para a maioria de nós desistir. Às vezes até inconscientemente alguém vem dizer uma palavra que tem grande efeito desanimador, nos dando todos os argumentos que necessitaríamos para desistir de confiar em Deus para aquela situação.
Não que nos tornem totalmente descrentes, só nos levam a acreditar que AQUELE pedido específico Deus não vai atender. Se ela parasse de clamar ali, todos iriam compreender… Quem tem uma fé mediana pára por aqui.

3 – JESUS DIZ QUE ELA NÃO MERECIA A BÊNÇÃO
Esse é, talvez, o momento mais difícil para nós. É quando o Senhor nos mostra a verdade: somos INDIGNOS DA ATENÇÃO DE DEUS. Não merecemos a bênção. Simples assim. Jamais seremos, pelos nossos feitos e qualidades, merecedores da resposta de Deus.
Apesar de sabermos disso por ouvir mensagens e estudos com relação aos nossos pecados e à nossa condição diante de Deus, ouvir isso da boca do próprio Deus tem um impacto muito grande em nosso ego, em nossa auto-estima, como dizem.
Essa é a barreira final. A perseverança definirá o resultado. Segundo o texto, a mulher não saiu chorando, em desespero total, nem contestou a afirmação de Jesus, dizendo que não era uma pessoa assim tão má. Ela reconheceu seu estado e a verdade da afirmação de Jesus.
Mas INSISTIU EM PEDIR. Isso para o Senhor Jesus foi a prova de que ela tinha, não uma pequena fé ou uma fé mediana. Esse era o sinal de que em seu coração havia uma fé madura, uma grande fé.

Jó dizia: Ainda que Ele me mate, nEle esperarei.

Assim eu vi, como disse o “profeta da rua” que encontrei, a sabedoria daquela mulher. Que agora é nossa sabedoria também.

Não to mandei eu?

Acredite na sinalizaçãoEu trabalho em rodovias federais, como sabem os que me conhecem pessoalmente. Dia desses a placa da foto ao lado me chamou a atenção. Ela recomenda que ponhamos crédito nas informações dadas pelas demais placas. É como se assegurasse que a sinalização instalada pelo órgão que projetou, construiu e mantém a estrada é de inteira confiança.

As placas de trânsito nas rodovias tem como função nos prevenir das possíveis situações que estão adiante de nós, à medida que avançamos na jornada, bem como de nos orientar e nos situar. Foram colocadas ali por quem conhece amiúde cada trecho da estrada, tanto o ponto onde estamos até onde nós pretendemos chegar.

A desobediência à sinalização muitas vezes nos custa caro, em multas e medidas administrativas tomadas pelos agentes de fiscalização do trânsito.

O texto mencionado no título é um trecho de Josué 1:9, em que Deus fala a um homem que já caminhava por muitos anos vendo a sinalização de Deus, desde o Egito. É como se o Senhor dissesse a ele e ao povo: ACREDITE NA SINALIZAÇÃO.

Quantos sinais o Senhor já lhe deu nessa caminhada? Você se lembra de todos? Pelo menos de alguns? Pense neles, confie nos rumos que Aquele que criou a estrada – que é Seu próprio Filho Jesus – traçou para sua vida. Acredite na Sua Palavra.

No meu trabalho, todos os dias sou abordado por pessoas que não viram ou não entenderam a sinalização e elas já se se definem assim: “Estou perdido aqui, seu guarda…”. Não confie apenas em sua sinceridade. Já vi muitos – muitos mesmo – viajantes sinceros indo em direção a São Paulo, enquanto acreditavam sinceramente que estavam rumando para Salvador, que fica na outra ponta da BR 116. Eles não sabiam mas estavam perdidos. Atente para a sinalização de Deus. Se não ficou clara pra você, peça ajuda a pessoas sérias e de confiança na fé.

E boa viagem.

Arrume suas gavetas

GavetasCerta vez eu estava com minha esposa e, de loja em loja procurava por um acessório que eu tinha visto, uma espécie de grade plástica que a gente coloca na gaveta e ela fica compartimentada pra separar meias e cintos, organizando as coisas por lá.

Depois de diversas lojas visitadas e da repetida pergunta “vocês tem organizador de gavetas?”, ela perdeu a paciência e me disse: VOCÊ É O ORGANIZADOR DA SUA GAVETA!

Depois de rirmos juntos, desisti da minha busca e fiquei pensando naquilo. EU sou o organizador das minhas gavetas. De todas elas. Sabia que eu não podia esperar por mais ninguém para arrumar certas caixas da minha vida. Em algumas delas só eu posso colocar as mãos.

Às vezes esperamos por isso, por alguém que, num piscar de olhos, coloque as nossas coisas em ordem. Não posso esperar que aconteça alguma coisa ou que chegue outra pessoa a quem eu possa entregar essa responsabilidade.

Muitas vezes procuramos a Igreja, depois de décadas de erros e confusões, querendo que as coisas se resolvam de um dia para o outro. Claro que, na presença do Senhor teremos condições de resolver certas situações impossíveis até, mas – não nos esqueçamos – são as NOSSAS gavetas, vamos por as mãos à obra e parar de procurar acessórios…

Na Contramão

“E por diminuir a iniquidade o amor de uns poucos aquecerá”. Acredito que esse seria o reverso da fala profética do Senhor em Mateus 24:12.

Podemos ler isso como uma descrição sucinta do projeto de Salvação, que à medida que nos afasta do pecado, nos aproxima de Deus. Jesus faz a descrição da situação dos muitos, aqueles que andam pelo espaçoso caminho e entram pela larga porta que conduz à perdição.

Mas como diz o autor da carta aos Hebreus, no capítulo 6:9, de nós o Espírito Santo espera coisas melhores, coisas que acompanham a salvação. O diminuir da iniquidade é uma delas. Li isto certa vez:

Ou a Bíblia nos afasta do pecado ou o pecado nos afasta da Bíblia.

A proximidade, o contato com a Palavra enfraquece nossa natureza carnal, para levá-la à morte. Mas ao mesmo tempo, como podemos extrair do texto, a diminuição da iniquidade terá como “efeito colateral” o aumento do amor, o aumento da influência de Deus na nossa vida.

Isso é o que acontece no coração dos servos do Senhor. Estamos na contramão do mundo. Este vai de mal a pior. Nós, a Igreja, estamos indo de bem a melhor.

Usemos isso como régua, para medir a nós mesmos: Se a iniquidade está diminuindo, o amor estará aumentando e nisso estará a prova de que estamos sendo trabalhados por Deus, para fazer de nós o que Ele quer que sejamos.

Não é quanto. É como.

Quando o evangelista Marcos conta sobre a oferta da viúva pobre, no capítulo 12 de seu evangelho (Se quiser, clique aqui para ler a passagem), ele usa uma expressão que nos ajuda a compreender melhor o que Deus quer nos dizer.

No verso 41 ele diz que Jesus “observava a maneira como a multidão lançava o dinheiro na arca do tesouro”. Veja bem, Ele não observava o quanto a multidão lançava, mas a maneira, o como lançava. Isso é que chamou a atenção do Senhor.

Ao explicar isso para os seus discípulos, Jesus diz que a pobre viúva depositou mais do que todos os que depositaram na arca do tesouro, porque ela havia depositado tudo o que tinha, todo o seu sustento.

Suas duas moedas poderiam representar uma ínfima porção das vultosas ofertas que eram lançadas ali. Mas suas pratinhas não eram o resto, sobejo, mas o todo. Muitos ainda se aproximam de Deus para lhe ofertar o que lhes sobra, ainda que isso possa parecer muito para si mesmas ou para quem lhes observa com olhar superficial – como é todo olhar humano.

Mas quando somos observados pelo Senhor, Ele sabe o quanto de confiança depositamos nEle. É disso que trata essa passagem: confiança. Ela entregou todo seu sustento. Não era um suicídio. Ela sabia que precisava de continuar sendo sustentada dali para frente. Mas ela entregou seu sustento aos cuidados do Senhor.

Era como se ela dissesse ao Senhor: A partir de agora serei sustentada por Ti, Senhor.  A palavra sustentar vem do latim, SUSTINERE, que significa apoiar, aguentar. Daí também vem a palavra “suster” que é dar apoio.

Não é nenhum segredo que a grande maioria das pessoas busca apoio em seu patrimônio, material ou intelectual. O resto, a sobra, é o que estes chamam de fé, um restolho.

Mas a maior oferta é depositar TODA confiança no Senhor.

As Duas Obras de Deus

Vamos usar o texto de João 9 – A cura do cego de nascença – para falar um pouco sobre AS obras de Deus. Vamos aproveitar que o Senhor Jesus usou a expressão no plural para colocar as coisas do seguinte modo:

Duas idéias mentirosas já eram comuns nos tempos em que Jesus esteve nas terras de Israel:

  1. A enfermidade de nascença (no caso, a cegueira) era resultado, consequência de pecado anterior ao nascimento da pessoa – ou seja, em “vidas passadas”, como defendem os que acreditam na reencarnação;
  2. A enfermidade de nascença era resultado, consequência de pecado dos pais, anterior ao nascimento do filho. Algo como as famigeradas maldições hereditárias.

O Mestre rebate incisivamente dizendo que nem ele nem os pais pecaram. Diz mais, que aquela enfermidade daria ocasião à manifestação das obras de Deus.

Deus realiza duas grandes obras:

  • A que pode ser chamada de Obra Criadora e
  • A que pode ser chamada de Obra Redentora.

Ambas aparecem, como disse o Senhor Jesus, na história do cego de nascença, veja só:

  • A Obra Criadora, feita através de Jesus, o Verbo, trouxe o homem à existência – “Deus fez o homem bom” – mas essa Obra foi atingida pelo pecado (bem exemplificado na cegueira, que aqui representa todas as demais doenças que afligem a humanidade). Essa foi consumada nos seis dias.
  • A Obra redentora, também feita através do Senhor Jesus, resgata o homem dessa existência enferma e o restaura diante de Deus. Nesta, como disse o bendito Filho de Deus, o Pai, o Filho e o Espírito Santo trabalham até agora.

Por isso a preferência de Jesus em curar primeiramente a alma e depois o corpo, como no outro caso, o do paralítico de Cafarnaum. O material já tem seu fim determinado. O espiritual ainda está em aberto, dependendo da decisão pessoal de cada um de nós. Quando alguém diz: “Fulano está na Obra”, entenda bem: É de sua redenção que está tratando. Se o fulano não estiver, estará apenas na primeira Obra, criadora. Mas quem faz a vontade de Deus permanece para sempre. Amém.

venham-e-vejam