Nem neste monte…

…nem em Jerusalém, adorareis ao Pai.glass stairway to an open door

Jesus disse estas palavras à mulher que Ele encontrou à beira do poço de Jacó, em Samaria. Foi um diálogo difícil. O Senhor estava levando seu entendimento, limitado pela razão, para algo novo para ela. E para todos nós também.

Há alguns dias minha filha, ao ler essa passagem, me disse que Jesus não parecia muito interessado em esclarecer as coisas para aquela mulher. Ao falar usando tantas figuras e simbolismos, parecia mais lhe propor um enigma do que lhe ensinar alguma coisa. Confesso que tive que fazer uma oração secreta e silenciosa enquanto buscava as palavras certas para “defender” Jesus.

Mas como a meditação das Palavras de Deus produz luz (Salmo 119:130), emendei a conversa e contei com a operação do Espírito Santo.

Mostrei a ela, primeiramente, que as palavras do Senhor tem como objetivo fazer com que creiamos que Ele é o Filho de Deus e que, crendo, tenhamos vida em Seu nome (João 20:31), isto é, Jesus não falava aquilo somente para ela, visava uma “audiência” muito maior – o mundo inteiro.

De fato, usando a mera razão, as palavras de Jesus ali e em diversas outras passagens, ficam difíceis de se compreender e aplicar. Mesmo um doutor da lei, Nicodemos, teve dificuldades em alcançar o entendimento do que Ele falava (João 3). Afinal, “homem nenhum falou como esse Homem”.

Se as palavras de Jesus fazem pouco ou nenhum sentido neste mundo físico – limitado pelas quatro medidas reconhecidas pela ciência: altura, largura, profundidade e tempo – quando o homem rompe essas quatro medidas, alcança o que está além, uma “quinta medida”, digamos, que só se alcança por revelação, isto é, “ninguém conhece plenamente o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar“(Mateus 11:27).

Esse entendimento estava além da compreensão daquela simples mulher samaritana e está além da compreensão do homem natural, mesmo o mais humanamente esclarecido dentre todos. As coisas do Pai só se alcançam por revelação.

É por isso que os discursos de Jesus faziam seus ouvintes pensar: “que quer dizer isso?”, expressão comum entre o povo. A mulher, em certo momento da conversa, quis achar um ponto de referência no plano humano: Este ou aquele monte? Ao que Jesus responde: os verdadeiros adoradores são os que adorarão ao Pai em espírito – ou seja: não no plano material.

Assim foi quando Jesus falou de todas as suas comparações: pão, água, luz, caminho, etc. Tudo isso estava fora destas quatro medidas. Não se tratava do pão da padaria ou da água da companhia de saneamento. E só a revelação pode nos levar até lá. Só a porta nos céus, vista por João, nos leva além da Letra, que mata e morre, para a dimensão do Espírito que é vivo e vivifica. A Ele, a Porta, toda a glória.